Como amparar quem mais sofre com o risco da COVID-19: os idosos

A pandemia do novo coronavírus vem criando uma grande insegurança em nossa sociedade: há o medo de contrair a moléstia; de passar para os outros, sobretudo quem a gente ama; de não conseguir trabalhar e, assim, ficar sem condições financeiras para arcar com os custos do dia a dia; e de ter que lidar com os transtornos provocados pelo confinamento, desde enfrentar o desgaste nas relações familiares até encarar os próprios conflitos internos, que podem se intensificar pelo incômodo de ser obrigado a ficar em casa. Se a situação é preocupante entre a população em geral, entre os idosos ela toma proporções gigantescas; e isso não tem a ver apenas com o risco de ser contaminado pelo vírus.

Estamos, sem dúvida, vivendo mais e melhor graças aos avanços da medicina e às inovações tecnológicas que nos dão condições de prevenir enfermidades e aumentar nosso bem-estar. Esses fatores têm aumentado nossa expectativa de vida e, consequentemente, a quantidade de idosos em nossa sociedade. Segundo dados do IBGE, temos hoje mais de 30 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, um aumento de 18% em cinco anos; a expectativa de vida é de 76 anos, em média – nas capitais, essa idade pode passar dos 80 anos. Isso não significa, entretanto, que estejamos mais seguros com a proximidade da velhice, ao contrário: em muitos casos, o envelhecimento tem aumentado o stress e a sensação de angústia. 

A percepção geral de que estamos vivendo mais e melhor proporciona uma falsa ilusão de que somos invencíveis; porém, quando nos damos conta de que essa não é a realidade, pois vamos envelhecer e morrer um dia (e, quanto mais velhos, mais próximos chegamos desse momento), a tendência é sentir uma enorme impotência. Além disso, não é todo mundo que chega em forma aos 60. Nesse caso, a frustração é ainda maior, “afinal, tanta gente continua saudável; por que não aconteceu comigo?” 

E, então, vem o coronavírus, com todas as regras e limitações impostas sobretudo à população da Terceira Idade. Pequenos prazeres na vida desses indivíduos, que os faz lembrar de que ainda estão vivos – receber a visita dos filhos, conviver com os netos, viajar, ir à feira, conversar com os vizinhos – lhes foram tirados de uma hora para outra. Quantos não estão isolados de tudo e de todos, sem sequer poder abrir a porta? Se algum deles se atreve a sair na rua, chega a ser hostilizado. Um amigo grisalho fez isso alguns dias atrás para ir ao mercado e sentiu isso na pele. “Ninguém quer saber se eu realmente precisava estar lá; faltaram me mandar para casa à força”, relatou, em seu Facebook. Soma-se a isso o medo da contaminação, das dores, da UTI, do óbito; de correr o risco de sucumbir sozinho, sem a possibilidade sequer de segurar a mão de um ente querido.  

A vida está sendo dura com todos nós, e pior ainda com nossos idosos. O que fazer para aplacar o sofrimento dessa parcela da população nesse momento tão delicado? Muitas vezes, não é preciso tanta coisa: ter compaixão, mostrar-se empático à situação deles, já ajuda bastante. É importante que esses indivíduos se sintam acolhidos; e acolhimento não quer dizer, necessariamente, contato físico. Significa ter disposição para ouvir um desabafo, ligar com frequência, promover chamadas por videoconferência com a família reunida, fazer visitas rápidas, ainda que seja mantendo distância. São pequenos atos que aquecem o coração e ajudam a salvar vidas.