Covid 19: há uma luz no fim do túnel

Uma das discussões que vêm surgindo nos últimos dias é se o confinamento faz sentido ou não. Um grupo – agindo de acordo com dados científicos e recomendação da Organização Mundial de Saúde – diz que sim; que devemos manter a quarentena para evitar a contaminação. Outro defende a volta da população às atividades cotidianas, deixando isolados apenas os idosos e grupos de risco, a fim de salvar nossa economia. Qual dos dois está certo? Ambos, talvez. Tudo depende do ponto de vista. Não há uma resposta fácil; nem uma única solução. 

O fato é que, independentemente do lado em que se está, a pandemia do novo coronavírus está fazendo emergir em nossa sociedade um interessante fenômeno. A despeito de ideologias políticas, etnia ou classe social, essa situação tem despertado nas pessoas uma empatia inimaginável. Criou-se uma cumplicidade mútua, em que se adere ao isolamento social não para salvar a si mesmo – visto que crianças e adultos saudáveis raramente apresentam complicações caso contraiam a doença – e sim para poupar idosos e indivíduos em grupos de risco. Também existe a meta de se evitar que o sistema de saúde entre em colapso e prejudique quem mais precisa dele. Desconhecidos que mal se cumprimentam no elevador do condomínio passaram a se oferecer para fazer compras a vizinhos da terceira idade, para que eles não se exponham na rua. Trata-se de uma tentativa de sobrevivência psíquica diante dessa situação de desamparo, da sensação de estarmos no mesmo oceano turbulento, prestes a afundar a qualquer momento – ainda que alguns estejam em canoas e, outros, em transatlânticos.

O caos deu lugar a um mundo menos frenético, que trafega em um ritmo mais lento. Passamos a usar os recursos tecnológicos não como algo predador, fruto de um mundo competitivo que muda a cada segundo, e sim, como um meio de aproximar as pessoas e apaziguar os percalços do dia a dia. Com essas inovações, conseguimos trabalhar em casa e fazer reuniões entre equipes; nossos filhos podem continuar estudando no sistema de educação à distância; pacientes de psicoterapia e análise são atendidos por videoconferência; e mantemos contato com familiares e amigos, algo tão necessário para preservar nossa sanidade mental. Ninguém mais tem pressa, ao contrário: estamos com mais tempo até para olhar uns aos outros.

Diante do inimaginável, fomos obrigados a viver no aqui e agora; nossas limitações foram escancaradas e ficamos sem chão. Essa realidade, contudo, vem nos tornando maiores, mais conscientes de nossas capacidades; e esse é um aspecto positivo. Em meio ao clima de guerra, há uma luz no fim do túnel, um humanismo em franca expansão. Nesse sentido, o cenário é muito favorável; e o futuro, mais do que incerto, pode ser promissor. 

 

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