Como o advento da tecnologia aumentou o nível de ansiedade na população

Estamos vivendo uma verdadeira revolução tecnológica. Nunca antes na história da humanidade havíamos presenciado tantas mudanças em tão curto espaço de tempo. O surgimento de novas soluções para questões simples do cotidiano – WhatsApp; Waze ou Google Maps; e-Banking; aplicativo de transporte; entre tantas outras – criaram necessidades que seriam inimagináveis alguns anos atrás. As inovações, sem dúvida, são positivas na maioria dos casos. Mais do que isso: são inevitáveis; fazem parte do desenvolvimento humano. Ocorre, entretanto, que elas não aconteciam de maneira acelerada. Até a geração de nossos pais ou avós, as transformações ocorriam de forma suave, quase imperceptível. Muitas vezes, levavam-se anos para perceber que uma nova “onda” estava consolidada na sociedade. Hoje, as situações mudam a cada minuto. O mundo como conhecemos agora não será o mesmo daqui a dois ou três meses.

Aí é que está o problema. Nós, humanos, precisamos de um tempo para assimilar novas informações e, então, acomodá-las internamente. É um sistema de organização psíquica, que ajuda a nos sentirmos seguros diante dos desafios do dia a dia. O processo de construção, segundo o psicólogo e biólogo Jean Piaget, tem início na infância e auxilia no desenvolvimento da criança; depois, continua na vida adulta. De alguns anos para cá, porém, esse estágio deixou de existir; tudo está tão rápido que, muitas vezes, não há tempo de processar o cenário que se apresenta à nossa frente. A sensação de não ter certeza de mais nada – pois o que já é conhecido pode mudar de uma hora para outra – e de não estar no controle da situação acaba provocando uma sensação de desamparo e, consequentemente, crises recorrentes de ansiedade. 

A boa notícia é que somos seres em constante evolução, que se adequam às adversidades. Segundo o próprio Piaget, nós temos como condições inatas a tendência à organização e à adaptação ao meio em que vivemos. Assim, partindo desse pressuposto, a boa convivência com todas essas mudanças fugazes é uma questão de tempo. Mas como lidar com a ansiedade enquanto esse ajuste não acontece? Não há uma solução simples. Um primeiro passo é reconhecer que vivemos em um ambiente de incertezas; que as transformações vão continuar acontecendo em velocidade estonteante; e que não temos o controle de nada. Aceitar a realidade como ela é – e não como gostaríamos que fosse – pode atenuar a angústia e ajudar a viver de maneira mais tranquila.