Por que precisamos usar as redes sociais com responsabilidade

dNo início de 2020, deparei com a seguinte mensagem na minha linha do tempo do Facebook:

MUITO TRISTE 😭😭😭

Estamos através do perfil de fulano de tal, com muito pesar, acessando para informar que há pouco ele passou mal, teve dores intensas no peito e foi levado às pressas à emergência médica local. Houve muitas complicações inesperadas e foi finalmente descoberto e já nos últimos suspiros e sinais vitais que havia várias pessoas especiais em seu coração, inclusive você que se preocupou e quase infartou com essa publicação.Não deixe para se preocupar ou sentir falta só quando perder alguém! 

Os comentários não eram dos melhores. Muita gente dizia que era uma brincadeira de mau gosto; outras pessoas, um susto desnecessário. 

De vez em quando surgem nas redes sociais mensagens desse tipo, que acabam viralizando e provocando polêmica. Um outro exemplo é esse post, abaixo, que circulou no Facebook em dezembro de 2019:

Povo fofoqueiro, eu não escondi de ninguém que eu estou GRÁVIDA, até porque gravidez não dá pra esconder, né, só não achei que fosse dar conta de vocês; por isso não havia contado nada. Mas, sim, vou ser mãe, nasce em junho e estou muito feliz, pois estou ciente de que isso é uma brincadeira e sei que estou incentivando a leitura de vocês até o final pra ver até onde vai o espírito da fofoca de vocês, e quando vão parar de ler. Bjs e cuidem de suas vidas.

Como no primeiro post, havia quem levasse na brincadeira; e também quem se ofendesse com a “piada de mau gosto”. Qual das duas posturas está correta?

Não existe o certo ou o errado, em ambos os casos. A internet é, hoje, um espaço livre para expor as mais diversas opiniões. Isso não significa que se possa postar qualquer coisa que se tenha vontade sem arcar com as consequências. 

O Brasil é atualmente o país que mais utiliza redes sociais na América Latina, segundo a consultoria americana ComScore. De acordo com o levantamento, 88% da população brasileira acessa o YouTube, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Pinterest e LinkedIn. Com tanta gente conectada, a exposição nas redes sociais tornou-se, nos últimos anos, mais do que um simples entretenimento: virou uma extensão de cada indivíduo que tem seu perfil on-line. 

Assim, tudo o que é postado virtualmente reflete um pouco da nossa personalidade; como nós nos mostramos para o mundo. Convido você, leitor, a um momento de reflexão.

Tomemos o primeiro post, por exemplo. Trata-se de um sujeito que simulou a própria morte para ver a reação das pessoas. Nesse caso, surge a seguinte pergunta: por que se expor dessa maneira? O que essa pessoa esperava com essa atitude? O que falta na vida desse cidadão para querer chamar a atenção de forma tão escancarada?

Na segunda mensagem, a mulher diz, falsamente, que está grávida, para desvendar  quem é fofoqueiro — em tese, são os que leem a mensagem até o final. Por que querer identificar essa característica nos amigos do Face? Que grau de onipotência é esse? Na verdade, trata-se de uma maneira “torta” de buscar atenção. Por que existe essa necessidade tão gritante?

Ao publicar determinado conteúdo nas redes sociais, você não está apenas compartilhando uma informação engraçadinha ou expondo uma opinião; está divulgando, sobretudo, a imagem de quem você é. Alegre? Brincalhão? Carente? Inseguro? Ingênuo? Vazio? Assim, eu lhe pergunto: que ideia você quer mostrar de si mesmo, ao fazer esse tipo de postagem? É preciso usar as redes sociais com responsabilidade não necessariamente para transmitir uma auto-imagem positiva para os outros e sim, para bancar, de maneira madura, esse sujeito que está sendo apresentando socialmente.